Funcionários da BMG em Entre Rios do Oeste paralisam atividades por atraso de salários e FGTS
- 9 de junho de 2026
Após o início do protesto, o diretor da empresa, Dorival Siqueira, conversou com os funcionários e explicou que os atrasos foram causados pelo bloqueio das contas judiciais da instituição.
Trabalhadores da empresa BMG, em Entre Rios do Oeste, PR, iniciaram uma paralisação por tempo indeterminado nesta segunda-feira (08). A categoria reivindica o pagamento dos salários atrasados e a regularização dos depósitos do FGTS, que não são realizados há cinco meses. Segundo os manifestantes, a falta dos valores tem impactado diretamente o pagamento de contas básicas e aluguéis.
A diretoria informou que já está trabalhando para resolver o problema e iniciou o envio de uma lista para realizar os pagamentos gradualmente via Pix, com previsão de conclusão até esta terça-feira.
A unidade da BMG instalada no município de Entre Rios do Oeste (PR) atua no setor de agronegócio e alimentos, especificamente na cadeia de produção animal e frigorífica.
A empresa opera na cidade por meio de braços como a BMG Foods (focada em importação, exportação e processamento de carnes bovina e suína) e a BMG Agrícola (historicamente ligada à suinocultura e à fabricação de alimentos para animais). Originalmente, a empresa foi adquirida pela paraguaia do Grupo Concepción, criada por um brasileiro.
Produtores foram prejudicados antes da BMG
A chegada da BMG a Entre Rios do Oeste ocorreu para preencher a lacuna deixada pela severa crise financeira e falência das operações da Comercial Rambo (conhecida regionalmente como Agrícola Rambo).
A antiga empresa acumulou vultosas dívidas com produtores de milho e terminadores de suínos, desencadeando fortes protestos e paralisando as atividades na região. Diante do colapso e visando a preservação da economia e dos postos de trabalho locais, o grupo BMG assumiu as instalações da massa falida, assinando posteriormente um contrato de concessão de uso com a prefeitura do município para reestruturar e modernizar o complexo industrial.
A Agrícola Rambo não decretou falência oficial, mas entrou em um processo de superendividamento em 2022, com dívidas superiores a R$ 150 milhões. Para reestruturar as finanças, a empresa arrendou suas instalações para a BMG Agrícola e realizou uma Ação de Repactuação judicial com seus credores, mas esta também, periodicamente, tem enfrentado dificuldades, causando dissabores a funcionários e fornecedores da matéria prima.
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