Toledo é primeira cidade do interior do Paraná a receber projeto de inteligência climática do Simepar
- 4 de setembro de 2026
Toledo será o primeiro município do interior do Paraná a receber o Smart Climate City, projeto de inteligência climática desenvolvido pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) em parceria com a empresa suíça Meteoblue. A iniciativa foi lançada oficialmente na manhã desta sexta-feira, dia 04 de setembro, durante evento realizado no auditório do Centro de Eventos Ismael Sperafico.
Além de Toledo, o projeto está sendo implantado em Curitiba, onde foi lançado no mês passado. As duas cidades foram escolhidas para funcionar como modelos com características distintas e, a partir dos resultados obtidos, permitir que os protocolos desenvolvidos sejam posteriormente utilizados por outros municípios paranaenses.
O Smart Climate City é financiado pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente, sob gestão do Instituto Água e Terra (IAT). O projeto utilizará uma rede de estações meteorológicas especializadas, modelos de previsão hidrometeorológica de altíssima resolução e inteligência artificial para ampliar o conhecimento sobre as condições climáticas e auxiliar no planejamento e na prevenção de eventos extremos.
Em Toledo, a iniciativa conta com o apoio da Prefeitura, por meio da Fundação para o Desenvolvimento Sustentável, Científico e Tecnológico de Toledo (Funtec), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e da Secretaria Municipal de Segurança e Trânsito, à qual está vinculada a Coordenação Municipal da Defesa Civil.
Toledo será cidade-modelo
O diretor-presidente do Simepar, Paulo de Tarso de Lara Pires, explicou que o desenvolvimento do projeto começou há aproximadamente dois anos, em parceria com uma instituição internacional especializada na utilização de informações meteorológicas para aprimorar o planejamento urbano.
Segundo ele, Curitiba foi escolhida por representar uma grande aglomeração urbana, enquanto Toledo reúne características diferentes e importantes para o estudo. “Toledo é uma cidade que se desenvolve de forma muito intensa e que tem, além da característica da urbanidade, uma área rural muito bem organizada. Por isso escolhemos Toledo como uma cidade-modelo e também um piloto para novas cidades do estado do Paraná”, explicou.
A diretora-executiva do Simepar, Vanessa D’Avila, destacou que o modelo utilizado tem origem europeia e passou por um processo de adaptação às condições brasileiras. Um dos objetivos é justamente compreender o comportamento climático em dois municípios com dimensões e características distintas.
Entre as razões que contribuíram para a escolha de Toledo estão a localização no Oeste do Paraná, a existência de um radar meteorológico do Simepar nas proximidades e uma estação meteorológica que está próxima de completar 30 anos de coleta de dados.
Projeto terá duração de três anos
O trabalho terá duração de três anos e será desenvolvido em diferentes etapas. Inicialmente, serão identificadas as zonas climáticas existentes dentro do município e levantados os dados que já estão disponíveis para alimentar os modelos.
Posteriormente, o projeto avançará para uma etapa operacional, além de possibilitar o desenvolvimento de estudos acadêmicos. Ao final, a intenção é deixar como legado protocolos que possam orientar Toledo diante de diferentes situações relacionadas ao clima.
Segundo Vanessa, a tecnologia permitirá compreender os microclimas existentes dentro da cidade, trabalhar com previsões de altíssima resolução e desenvolver modelos hidrológicos capazes de auxiliar no mapeamento de locais suscetíveis a alagamentos em períodos de chuvas intensas. “Ele é um projeto de inteligência climática. A gente está acostumado com ‘smart city’, cidades inteligentes, e colocou o ‘climate’ justamente para entender como podemos fazer uma cidade ou município ser resiliente às questões climáticas”, explicou.
A diretora destacou ainda que o projeto depende da atuação conjunta de diferentes áreas da administração municipal. A expectativa é que os protocolos elaborados em Curitiba sirvam de referência para municípios maiores, enquanto a experiência de Toledo, inclusive considerando as particularidades da zona rural, possa ser replicada em municípios de menor porte.
Novas estações meteorológicas serão instaladas
Paulo de Tarso de Lara Pires explicou que o trabalho começará com modelos que utilizam dados obtidos remotamente. Em uma etapa posterior, novas estações meteorológicas serão instaladas em Toledo.
Com os novos equipamentos, o Simepar pretende obter informações mais detalhadas tanto sobre o macroclima quanto sobre os diferentes microclimas existentes no município. A combinação dessas informações com o histórico meteorológico e novos modelos de previsão deverá ampliar a capacidade de antecipação de eventos e auxiliar principalmente a Defesa Civil.
Um dos focos será aprimorar o chamado nowcasting, a previsão meteorológica de curtíssimo prazo. Enquanto modelos internacionais permitem acompanhar tendências de longo prazo, a ampliação da estrutura local deverá possibilitar maior precisão sobre onde e quando determinados eventos poderão ocorrer.
Simepar alerta para El Niño forte a muito forte
O lançamento do Smart Climate City ocorreu em um momento de atenção especial às condições meteorológicas previstas para os próximos meses. Durante o evento, também foram apresentadas informações sobre o El Niño e seus possíveis impactos no Paraná.
Segundo Paulo de Tarso de Lara Pires, o Simepar acompanha há aproximadamente três meses a evolução do fenômeno. Os modelos internacionais analisados pela instituição apontam para um El Niño com intensidade entre forte e muito forte.
O diretor-presidente alertou que o Oeste do Paraná deverá estar entre as regiões mais afetadas, principalmente pelo aumento significativo do volume de chuvas e pela ocorrência de temperaturas elevadas.
A atenção deverá ser maior no fim de 2026 e no começo de 2027, especialmente entre novembro, dezembro e janeiro. “Temos que estar preparados, não apavorados, para esse fenômeno que vai chegar em breve”, ressaltou.
A intenção, segundo o Simepar, é utilizar as informações meteorológicas e as novas tecnologias para trabalhar em conjunto com a Defesa Civil e os órgãos ambientais, reduzindo ao máximo os impactos dos fenômenos climáticos sobre a população.
Município amplia preparação para eventos extremos
O prefeito de Toledo, Mario Costenaro (Republicanos), destacou que o Smart Climate City permitirá trabalhar simultaneamente com planejamento de longo prazo e preparação para situações que já podem atingir o município nos próximos meses.
“Estamos falando em planejamento para tempos futuros e estamos falando também em planejamento para os tempos presentes”, afirmou.
Costenaro citou, entre as ações já desenvolvidas, a criação dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs), que aproximam a Defesa Civil das associações de moradores e dos distritos. Segundo o prefeito, a organização das comunidades pode contribuir para respostas mais rápidas quando ocorrerem eventos climáticos adversos.
Ele também mencionou a reorganização da estrutura administrativa e a aquisição de equipamentos para melhorar ações preventivas, entre elas a limpeza de bueiros e da rede de drenagem.
Segundo o prefeito, o município também vem ampliando o registro de pontos onde são identificados problemas relacionados a alagamentos e drenagem. As informações deverão contribuir para a elaboração de projetos, definição de medidas preventivas e identificação das áreas mais suscetíveis a eventos climáticos.
Para Costenaro, a combinação entre tecnologia, planejamento, organização da Defesa Civil e participação da comunidade será fundamental diante do cenário previsto para a região. “É um alerta a todos. A região Oeste do Paraná é muito suscetível à questão do El Niño, que já está acontecendo, e por isso é extremamente importante que nós nos preparemos para esse enfrentamento”, concluiu.
Simepar
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