Chikungunya já supera total de 2025 em Toledo, enquanto casos de dengue despencam; entenda o motivo
- 15 de junho de 2026
Transmitidas pelo mesmo mosquito (Aedes Aegypti), dengue e chikungunya seguem caminhos opostos em Toledo: os casos de dengue caem, enquanto os de chikungunya avançam e já superam o total de todo o ano passado.
. Para o setor de combate a endemias, a explicação está na imunidade da população.
contra 17 em todo o ano de 2025, e 41 de dengue, sem mortes pelas duas doenças, segundo o boletim mais recente da Secretaria da Saúde.
Chikungunya já tem 22 casos confirmados em Toledo e supera todo o total de 2025; dengue soma 41

Toledo confirmou 22 casos de febre chikungunya entre janeiro e esta sexta-feira, dia 12 de junho, número que já supera as 17 confirmações de todo o ano de 2025. No mesmo período, a dengue registra 41 casos e nenhuma morte, segundo o boletim mais recente da Secretaria Munbicipal da Saúde.
Pelo levantamento, que abrange o período de 04 de janeiro a 12 de junho, a dengue soma 2.233 casos notificados, dos quais 41 foram confirmados e 2.115 descartados, com 77 ainda à espera de exames. A chikungunya teve 37 notificações, sendo 22 confirmadas, nove descartadas e seis em análise. Nenhuma das duas doenças registrou óbitos no período.
O número da chikungunya chama atenção pela rapidez do avanço: a doença era praticamente ausente na cidade, com zero casos confirmados em 2022, seis em 2023 e nenhum em 2024, antes de saltar para 17 em 2025, total agora superado em menos da metade de 2026.
De acordo com o coordenador do Setor de Combate a Endemias, Antônio José de Sousa de Moraes, a maior concentração de casos confirmados continua sendo registrada na região do Grande São Francisco, que abrange os bairros São Francisco I, II e III, além do Croma II. Desde o início do ano, a área tem recebido atenção especial das equipes de vigilância, com intensificação dos bloqueios, aplicação de inseticidas e vistorias domiciliares. “A região do Grande São Francisco continua sendo o principal ponto de atenção do setor e a área com maior concentração de bloqueios desde o início do ano”, destacou.
A Secretaria da Saúde reforça que, por serem transmitidas pelo mesmo mosquito, o Aedes Aegypti, as duas doenças exigem os mesmos cuidados: eliminar criadouros e vistoriar quintais e o interior das casas ao menos duas vezes por semana.
Confira na imagem abaixo o Boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Toledo
O coordenador do Setor de Combate a Endemias, Antônio José de Sousa de Moraes atribui o movimento à chamada imunidade de rebanho. Anos seguidos de surtos de dengue deixaram boa parte da população já exposta ao vírus. “Em 2025 a gente teve mais de 1 mil casos de dengue, e isso significa que uma parcela gigantesca da população já teve contato com os sorotipos que circulam aqui. Quando o vírus entra em contato com uma pessoa que já tem aquele sorotipo, encontra resistência e não se manifesta”, explicou.
Com a chikungunya ocorre o oposto: por ser um vírus relativamente novo na cidade, encontra uma população quase toda sem defesa. De acordo com o coordenador, ao picar uma pessoa infectada, o mosquito passa a carregar o vírus, que encontra um campo aberto em uma população sem imunidade, como ocorreu com a dengue no passado, tornando a propagação muito mais rápida
A presença do mosquito, porém, não se limita à região do Grande São Francisco, onde os casos se concentraram. O LIRAa de maio encontrou focos do Aedes Aegypti em 47 localidades de Toledo, quase toda a cidade, o que significa que qualquer criadouro pode virar um novo ponto de transmissão.
Alerta para o segundo semestre
O índice de infestação de 4,3% apurado em maio ficou acima do 1% tolerado pelo Ministério da Saúde. O frio deve dar uma trégua ao ciclo do mosquito, mas o coordenador alerta para o que vem depois. Para ele, o verdadeiro perigo está na virada do segundo semestre, a partir de outubro e novembro, quando o calor se intensifica e as chuvas voltam; se nesse período a infestação seguir tão alta quanto a de maio, o risco de um repique de casos é real.
O coordenador ponderou ainda que o quadro pioraria com a chegada de um novo tipo de dengue: a introdução de um sorotipo 04, para o qual a população ainda não tem imunidade, representaria um problema de saúde pública no futuro. Por isso, reforçou, o cuidado vale para as duas doenças: eliminar criadouros vistoriar quintais ao menos duas vezes por semana.
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